Time Machine: Rush em São Paulo
Publicada em 13, Oct, 2010 por Marcia Janini
Clique aqui e veja as fotos deste show.
O estádio do Morumbi recebeu na noite de sexta-feira, 8 de outubro um dos maiores ícones do progressive rock de todos os tempos, a banda Rush, que subiu ao palco por volta das 21h30, para um público de aproximadamente 20 mil pessoas, em show da turnê Time Machine.
No repertório, clássicos que permearam toda a trajetória da banda, além da execução na íntegra do álbum Moving Pictures (1981), comemorando os quase 30 anos de lançamento deste trabalho histórico.
Iniciando a noite, um divertido vídeo de abertura mostrava as “origens” da banda de forma descontraída, com os músicos se revezando no papel de atores. Na finalização, o gramofone já introduzia os acordes da introdução de “The Spirit of Radio”, na deixa para a entrada dos músicos e execução da primeira canção, que já apresentou alto ponto de verticalização na apresentação.
Cheios de energia e vitalidade ímpar, Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart trouxeram além de seu virtuosismo musical a diversão nos aparatos cênicos, num espetáculo de grande beleza estética.
Nota para o brilhante trabalho da iluminação, diferenciada, apresentando uma estrutura em formato de “nave interplanetária”, que em determinados momentos do show, realizava movimentos diferenciados, trazendo pequenos “zangões”, também formados por luzes, no momento do bis.
A incrível estrutura de palco apresentava, além de telões ao fundo e laterais, que exibiram durante o decorrer da apresentação imagens de vídeos da banda, animações e trechos do próprio show, num elaborado trabalho da edição de imagens, as famosas “engenhocas” futuristas que caracterizam várias fases da carreira da banda, como as máquinas de lavar, a máquina do tempo e, é óbvio, o gramofone.
A apresentação transcorreu com cuidado e atenção até aos mínimos detalhes, verificando-se os motivos da turnê até nos instrumentos da bateria de Peart.
Entretanto, a estrutura reservava ainda mais surpresas visuais e de grande efeito para o público, com canhões localizados na parte traseira e inferior da estrutura que, de acordo com a temática da canção ou álbum apresentado, espocavam fogos coloridos, labaredas de luz ou fumaça.
Após a brilhante abertura com a execução de “The Spirit of Radio”, a banda interpretou duas canções da fase final dos anos 80, “Time Stand Still” e “Presto”, realizando em seguida saudação ao público. Geddy Lee mais uma vez demonstrou todo seu carisma e apreço pelos fãs brasileiros.
“Stick it Out” (1993), em sua execução demonstra a grande forma de todos os integrantes da banda, com os vocias afinadíssimos e perfeitos de Lee, precisão técnica e energia vibrantes da bateria de Peart e incríveis solos da guitarra de Alex Lifeson.
Do mais recente trabalho da banda, o álbum “Snakes and Arrows” lançado em 2009, as canções “Workin’ Them Angels” e “Far Cry” traduzem todo o amadurecimento da banda em melodias bem construídas, de arranjos perfeitos e altamente criativos. Em “Workin’”, a lira extraída do fado português com sua sonoridade suave, demonstra o incessante trabalho de pesquisa musical da banda, que mesmo após sua consolidada e brilhante carreira, continua a buscar e utilizar com maestria elementos da world music para suas composições, tornando-as atemporais e únicas.
As canções “Faithless”, “Freewill”, “Marathon” e “Subdivisions”, grandes sucessos na primeira metade dos anos 80, apresentaram pontos altos de verticalização da apresentação, com intensa participação do público, em momentos de forte sinergia palco/platéia.
Após pausa de aproximadamente 30 minutos, o filme introdutório demonstra analogia ao título da turnê, com imagens de evolução, regressão, progressão da banda, de forma bem humorada e divertida.
A clássica “Tom Sawyer”, fidedignamente executada, prenuncia a exibição literal do álbum “Moving Pictures”, em momentos de intensidade e preciosismo estilístico determinadas pelas incríveis execuções de “Red Barchetta”, “YYZ”, “Limelight”, “The Camera Eye”, “Witch Hunt” e “Vital Signs”. Best of the best!
Mais um momento de intensidade do show, o fantástico solo de bateria de Neil Peart, onde todo seu talento, virtuosismo e personalidade ímpares foram ouvidos e observados (literalmente), pelos presentes, numa pequena mostra de toda a sua grande versatilidade em meio à “ilha”, formada por sua volumosa bateria e instrumentos de percussão, sobre plataforma giratória. Em mais um belo arranjo das edições de imagens, câmeras localizadas em pontos estratégicos, exibiram nos telões com boa precisão os movimentos de Peart. Sensacional!
O show apresentou também momentos de densidade nos instrumentais da viagem futurista de “Overture”(1976) e “Leave That Thing Alone”(1993).
Mais surpresas estavam reservadas durante o espetáculo, como o lançamento de dois novos singles “BU2B”, com letra reflexiva e recurso de breaks estratégicos traduzindo grande profundidade à melodia e a perfeita “Caravan”, intensa, pautada em elementos extraídos do folk, remontando esparsamente à sonoridade dramática dos cancioneiros ciganos e celtas.
Reservadas ao momento do bis, as clássicas “La Villa Stangiato” (1978) e Working Man (1974), encerraram com grande precisão técnica esta grande apresentação.
O filme de encerramento, demonstrando as peripécias de dois atrapalhados fãs para conseguir autógrafos de seus ídolos trouxe mais um momento de grande descontração, surgindo como uma declaração do respeito e carinho da banda em relação ao seu público.
Assim transcorreu a maravilhosa apresentação do Rush, permeada de intensos momentos onde a tônica foi ditada pelo virtuosismo de seus integrantes em meio à descontração, numa verdadeira viagem auditiva e visual, transcendendo os sentidos. Great!
|