The Summer: Sisters of Mercy em São Paulo
Publicada em 19, Sep, 2016 por Musicao
Na noite da última sexta-feira, 16 de setembro, o The Sisters of Mercy realizou show em única apresentação no Tom Brasil.
A turnê "The Summer", que já passou por vários países da América Latina chega a São Paulo trazendo todos os grandes clássicos da emblemática banda, ícone do movimento gótico nos anos 90.
Subindo ao palco por volta das 22h15, a banda já inicia a apresentação com o grande hit "More", seguido por "Ribbons", uma canção que explora bem o uso dos sintetizadores em sonoridades nada óbvias e o medley entre "Doctor Jeep/ Detonation Boulevard", esta última uma canção em que o cadenciado da bateria eletrônica determina a pulsação, emoldurando a guitarra constante.
O sucesso "Amphetamine Logic" surge antecedendo a boa "Body Electric", e o grande hit "Alice", numa demonstração do grande potencial vocal de Eldrich, em excelente forma.
Com sonoridade próxima ao hard rock "Crash and Burn" surge na introdução com as distorcidas guitarras em riffs rascantes, evoluindo para cadenciado suave. Sintetizadores de acordes suspensos na finalização aparecem como bom diferencial.
Em versões fidedignas ao original "No Time To Cry" e "Marian" são executadas. Nota para a suave mudança nos backing vocals de "Marian", mais graves que a gravação original, trazendo ar modernizador à consagrada melodia...Bom momento do show!
Trazendo o peso e vigor do synthpop aliado ao dark wave, "Arms" apresenta nos sempre criativos e modernos acordes do teclado aliados à bateria eletrônica linha melódica intrincada e incomum, ainda hoje uma grande ousadia explorando cromatismos em uma composição de rara complexidade.
Um dos pontos altos da apresentação, o medley "Dominion/ Mother Russia" antecede a faixa inédita que intitula o novo álbum e a turnê. "Summer" de melodia cadenciada e atmosfera tétrica demonstra a mórbida beleza de uma melodia constante e suavizada por recursos dos sintetizadores.
Traduzindo no fraseado melódico elementos da sonoridade mediterrânea na fusão com o dark wave que apresenta bateria cadenciada e andamento frenético a instrumental "Jihad", em belíssima releitura para a canção consagrada pelos The Sisterhood empolga e aponta bom diferencial ao show, traduzindo grande dinamismo em sua estrutura cíclica.
"Valentine" em seu andamento ralentado e no fraseado vocal intimista de Eldrich dão uma singela mostra das principais características que marcou o movimento dark/gótico, seja pelo instrumental despretensioso, seja pela urgência das letras, que demonstraram com maestria a ansiedade de toda uma geração. Brilhante!
"Flood II" com introdução e finalização em viscerais riffs altos das guitarras distorcidas aliados à genial bateria eletrônica, que acompanha com garbo a melodia, antecede a delicada "Something Fast" em balada dorida, repleta de alusões sentimentais sem descambar no romantismo piegas. De uma elegância à toda prova!
Além destas canções as clássicas "Lucretia My Reflection", "Vision Thing", "First and Last and Always", "Temple of Love" e "This Corrosion" constaram do setlist que contemplou com propriedade todas as fases da carreira da banda.
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