Anathema na Clash Club
Publicada em 12, Feb, 2015 por Fabiano Cruz
Sábado a casa Clash Club na Barra Funda foi palco de uma das mais emblemáticas bandas do Doom/ Prog, o Anathema. Os ingleses sempre foram muito prestigiados no Brasil, tendo uma grande legião de fãs; a apresentação que poderia ter sido perfeita teve problemas que causou certo desconforto por parte de fãs e banda. Primeiro pela casa, onde praticamente não suportou a quantidade de fãs, tornando dentro dela ruim ate mesmo de respirar e pessoas ficando em espaços com pouca visibilidade do palco. Com alguns problemas no áudio, a apresentação teve um considerável atraso, que inclusive afetou um pouco a performance da banda, que fizeram uma apresentação claramente irritados, errando em certos pontos das músicas e desabafando sobre a casa (outros problemas relacionados a fãs e conflitos com a produção também foram relatados, porém não foram problemas as quais pessoalmente presenciei)
Mesmo com todos esses fatores, o Anathema ainda assim conseguiu fazer um show excepcional. Mesmo que negando o passado e se concentrando no mais novo trabalho, Distant Satellites, e nos últimos trabalhos, em sonoridades mais progressivas do que o Doom extremo de outrora, a sonoridade da banda ao vivo é algo realmente surpreendente. Os sons melancólicos em tons menores foram muito bem casados com o palco com uma iluminação escura e avermelhada entrecortado por “cortinas” de faixas de luzes brancas e azuis, e assim começam com Anathema, faixa do novo trabalho. The Lost Song Part 1 e 2 e Untouchable PArt 1 e 2 seguiu com as belas melodias e o ambiente “escuro” que os sons proporciona. Com os problemas já relatados, o mais afetado em palco infelizmente era a principal voz e guitarra da banda, Vincent Cavanagh, onde sua voz em alguns momentos oscilou muito, orem não estragando a apresentação num todo, mesmo porque músicas do quilate de Ariel e Thin Air são de uma qualidade impressionante ao vivo.
Se teve algum integrante que se destacou, foi a bela vocalista Lee Douglas. Suas participações arrancaram lágrimas de muitos que estavam presentes (e foi a única que mostrou um pouco de paciência e concentração em palco!). Um pouco do peso que a banda já teve vieram com algumas músicas mais antigas, Deep e A Natural Disaster, aclamadas pelo público. Com um bis, onde senti a banda já totalmente desconfortável em palco, o começo de Wish You Where Here do Pink Floyd serviu de apoio para Fragile Dreams, fechando a apresentação.
Mesmo com problemas relatados, a apresentação ainda foi acima da média de muitos shows que estamos vendo; várias pessoas realmente se emocionaram em vários momentos, talvez o maior deles tenha sido com Universal, a qual eu mesmo, fã da banda que foi a primeira vez que os vi ao vivo, se emocionou de forma profunda. Não podemos negar que, independente dos problemas nos bastidores e das personalidades dos músicos, o Anathema sabe fazer uma apresentação bem forte; espero a próxima vez ver um show 100% deles, em uma casa que suporte o público da banda e que os ingleses estejam mais concentrados em palco.
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