Foo Fighters no Estádio do Morumbi em São Paulo
Publicada em 26, Jan, 2015 por Marcia Janini
Na noite da última sexta-feira, 23 de janeiro, a emblemática banda indie Foo Fighters, uma das mais influentes no cenário do rock a partir da segunda metade dos anos 90, sobe ao palco montado no Estádio do Morumbi às 21h15, iniciando sua aguardada e vigorosa apresentação, para público estimado em cerca de 55 mil pessoas, após shows de abertura com os Raimundos e Kaiser Chiefs.
A banda já inicia sua apresentação com dois hits de sucesso, "Something For Nothing" e "The Pretender", que traduz toda a energia e vitalidade rock pautada na cadência hard, com suaves acentos na sonoridade 60´s.
Um dos maiores sucessos da banda, "Learn To Fly" provoca intensa participação do público, em frenesi, com sua melodia cheia de vitalidade e frescor, aliando o peso da bateria às guitarras e ao vocal suave.
Outro grande clássico, a contundente "Breakout" surge entoada como hino de toda uma geração durante break estratégico, apoiando o apelo do refrão. À forte bateria cadenciada aliaram-se riffs da guitarra em acordes solapados, tendo por contraponto o baixo em dub.
A beleza da instrumental "Arlandria", traduzindo a levada bluseira da guitarra de Dave Grohl na junção com os arranjos diferenciados da bateria, determina grande diferencial à apresentação, suavizando momentaneamente o vigoroso peso do show, precedendo a pop "My Hero", repleta de cromatismos em meio aos rascantes acordes da guitarra. Simples em sua complexidade melódica, aliada à letra urgente, reflexiva, também marca um ponto alto da apresentação, emoldurada com maestria pela bateria criativa, em conversões nada óbvias.
Intensa, calorosa a balada "Congregation" apresenta mais um momento de boa sinergia com o público em mais um grande momento de performance individual da bateria, num show de agilidade e destreza, explorando movimentos afretados, em aliterações e variações dinâmicas vertiginosas, com tonalidade voltada ao rock progressivo.
Carismático, o front man cativa o público com sua oratória simples e descontraída, promovendo boa comunicação com seus fãs em diversos momentos do show, contando pequenas curiosidades sobre as composições executadas.
Outro hit, "Walk" demonstra em toda sua densidade grande parte da genialidade dos instrumentistas, em conduções instrumentais únicas, de técnica arrojada e absolutamente moderna, revisitando suas influências no classic rock com a energia do novo, do inusitado, tornando-se fator recorrente nas criações da banda.
Após suave introdução, a melodia de "Cold Day In The Sun" explode em progressões dinâmicas, adotando andamento cadenciado para refrear o instrumental agressivo, cru, com delicioso acento pautado no punk rock nas conversões ao refrão. Grande momento da apresentação.
Com ares de jam session, os músicos vão sendo apresentados, após pequeno solo do baixo em dub, precedido pela guitarra melódica, trecho de Tom Sawyer (Rush) é utilizado de forma descontraída para demonstrar um pequeno solo da bateria e teclado, mostrando uma de suas grandes influências no rock progressivo.
Inusitado e fidedigno, excerto de "War Pigs" (Black Sabbath), encerra a sessão de improvisos, precedendo a execução da psicodélica "I´ll Stick Around", trazendo todo seu apelo instrumental, ao explorar tonalidades altas, backing vocals em alternância, aliados aos belos recursos do teclado em linhas futuristas e demais elementos típicos do universo retrô, com o acento de modernidade indie 90's da banda, em acordes despojados, arrematando a diversificada e ousada composição.
Numa fusão entre o hardcore, com fortes elementos do punk de primeira geração na condução da bateria e andamento, a alegre "Monkey Wrench" também marca um bom momento do show.
Além destes sucessos, grandes clássicos da banda como "Skin and Bones" e "Wheel" constaram do repertório da bela apresentação.
Em segundo momento, precedendo o bis, a banda presenteou o público com a execução de releituras de grandes clássicos do rock, homenageando bandas que lhes serviram de inspiração, como "Detroit Rock City" (Kiss), "Stay With Me" (The Faces), "Tie Your Mother Down" (Queen) e "Under Pressure" (Queen e David Bowie).
Abrindo este bloco, Taylor Hawkins e Grohl trocam suas marcações para a execução de "Times Like These", com vocais de Hawkins e um show à parte de Dave na condução da bateria. Amazing!
Para o momento do bis, clássicos como "All My Life", "These Days", "Outside", "Best Of You" e "Everlong" encerraram com brilhantismo o memorável espetáculo de aproximadamente três horas de duração, que privilegiou canções de todas as fases da banda, para deleite dos milhares de fãs.
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