História do rock retratada nos palcos: Rock Show
Publicada em 19, Jul, 2010 por Marcia Janini
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O musical, dirigido por Hudson Glauber com supervisão de Wolf Maia, teve início às 22h30 do último sábado, 17 de julho, na Via Funchal trazendo no elenco intérpretes que brilharam em programas de auditório televisivos como Leilah Moreno, Vanessa Jackson, Kelly Moore e Nando Fernandes, entre outros.
Introduzindo o espetáculo, a intérprete desce do alto num rapel, cantando “Rock and Roll All Nite”, enquanto se abrem as cortinas e os demais dançarinos-cantores se posicionam em suas marcações.
O cenário sugere um galpão abandonado de fábrica, onde a banda se posiciona na parte superior da estrutura, enquanto em meio aos andaimes se entreviam plataformas, onde os intérpretes e dançarinos realizariam as performances das elaboradas coreografias. A concepção do espetáculo baseou-se em grande parte nos trabalhos do coreógrafo Dein Perry, remetendo nos cenários e em parte nos trabalhos coreográficos, que mesclou elementos da dança contemporânea ao sapateado.
O espetáculo traçou a história do rock por meio das canções que marcaram os variados estilos, iniciando pelo rock a Billy, com a execução de clássicos como “Great Balls of Fire” de Jerry Lee Lewis, “Rock Around the Clock”, “Johnny B. Goode” e “Jailhouse Rock”, marcando o rock dos anos 50. As coreografias revelaram agilidade, graça e leveza dos dançarinos, transmitindo ao público o clima de descontração e alegria da dança.
Em seguida, o espetáculo continua a viagem musical passando pelo rock dos anos 60, englobando suas várias vertentes, passando pela invasão britânica de Beatles e Rolling Stones, o surf rock de Steppenwolf e a onda hippie com influências no blues e soul de Janis Joplin.
Iniciando a década de 70, a execução de “You Shook Me All Night Long”, seguida pelo punk de Ramones, Blitzkrieg Bop e “We Will Rock You”, com inusitada performance de tambores tocados por “punks” de moicanos coloridos. Finalizando esta seqüência, o clássico “Proud Mary”, interpretado por Kelly Moore.
A última parte da apresentação mescla canções que fizeram sucesso nos anos 80 e 90, iniciando com o clássico do trash pop “We’re Not Gonna Take It” do divertido Twisted Sister. Leandro Luna realiza a interpretação de Nothing Else Matters, seguida pela execução de “Another Brick in the Wall”, que apresentou um dos momentos de maior efeito coreográfico por meio dos capacetes de minerador utilizados pelos dançarinos, criando belos efeitos de luz em meio à penumbra. “You Give Love a Bad Name” recordou o teen spirit 80’s de Bon Jovi. Nota para a releitura de “I Still Haven’t Found what I’m Looking For”, com os brilhantes vocais femininos traduzindo a canção para a deliciosa cadência do soul, verticalizando para vertentes do gospel.
Relembrando a era grunge, “Smells Like Teen Spirit”, utilizando o sapateado de forma inusitada na bem marcada coreografia, remete à expressão despojada dos jovens da época, no gestual displicente, explorando na expressão corporal e facial o desencanto, o andar “sem rumo”, a busca por afirmação e identidade que tão bem caracterizou o comportamento do período. Fantástico!
Ainda nesta última fase da apresentação, “Sweet Child O’ Mine” apresentou como diferencial, além de atores realizando as acrobacias de Axl com os pedestais de microfone a incrível performance individual do guitarrista, em momento inspirado do show.
“Song 2” mostrou interessante e contagiante coreografia, seguida por “Californication”, que trouxe mais um inusitado e criativo recurso cênico, um automóvel, onde os atores interpretaram com belíssimo trabalho corporal a canção.
Finalizando o espetáculo, o fantástico coral executa “Bohemian Rapsody”, onde a precisão técnica dos vocais atingiu níveis realmente dignos de menção, numa finalização linda para uma apresentação de grande beleza estética, que privilegiou por meio da iluminação, aparatos cênicos, intenso trabalho de pesquisa histórica nos figurinos, na preparação corporal dos atores (especialmente no tocante ao sapateado), uma forma moderna, divertida e inusitada de contar para todos os presentes um pouco da história do rock, fundindo elementos tão distintos do universo do rock com tamanha propriedade. Arrojado, genial e intensamente atrevido, como só o rock sabe ser!
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