Manowar: Reis do metal de volta ao Brasil
Publicada em 12, May, 2010 por Marcia Janini
Na última sexta-feira, 7 de maio, após um intervalo de 12 anos, o público paulista pode prestigiar o retorno do Manowar aos palcos nacionais, em única apresentação em São Paulo, realizada no Credicard Hall, contando com a banda Kings of Steel abrindo a noite.
Por volta das 21h30, a banda Kings of Steel sobe ao palco, trazendo em seu repertório canções de própria autoria e covers de alguns clássicos do heavy e progressive metal.
“Black Steels” traz o peso do metal nos belos vocais, repletos de vigor, força tonal, projeção, agudos e modulações impressionantes do vocalista Cleber Krichnak. A melodia de linhas densas remete ao progressive rock e black metal, com notas em suspensão. Rica em variações traduzidas em belos acordes e condução precisa da bateria de Marcelo Petri, a melodia apresenta cadência constante, numa construção de grande estilo.
“Kings of Steel” traduz em sua cadência vigorosa a predominância do baixo de Alex DiArce em excelente contraponto à bateria. Nas conversões aos refrões, a guitarra distorcida de Evandro Morais impera soberana, numa melodia criativa, quase uma suíte, repleta de bons recursos. Digna de nota a participação de Carlos Favalli nos teclados, auxiliando a composição da aura de densidade que envolve a canção.
O Manowar inicia a apresentação da turnê “Death to Infidels” aproximadamente às 23h00, com a canção “Hand of Doom” (2002) na cadência heavy, com influências que remetem ao hard rock e progressive metal.
Na sequência, a bela “Call to Arms” (2002), traz belos vocais, agudos, com belíssima afinação, projeção e vitalidade ímpar, no timbre personalizado e único de Eric Adams. Na construção da sinfonia em ascendência, acordes preciosos da guitarra de Karl Logan pontuam com charme e elegância toda a melodia, realizando bom contraponto à bateria cadenciada. Música intensa, com grandes variantes.
“Die With Honor”, single de 2008, inicia com introdução do baixo de Joey De Maio, contrapontístico, remetendo à acordes marciais. Canção cadenciada de andamento suavizado, com bons pontos de conversão e breaks estratégicos. Incendiários riffs da guitarra de Scott Columbus arrematam o refrão com maestria. Em mais uma interpretação inspirada, o vigoroso vocal de Eric Adams, parte para uma linha de densidade sem descambar ao gutural, contrabalançada por agudos profundos, revelando sua bela extensão e projeção vocal. Great!
A canção “Swords in the Wind”(2002) apresenta introdução densa e melódica, com vocal praticamente à capela, laureado por suave acompanhamento das guitarras numa atmosfera densa remontando ao ethereal, num dos momentos mais belos do show. Aos vocais profundos de extrema precisão técnica segue a melodia em progressão ascendente, com ricos arranjos das guitarras, em perfeita sintonia com a tocante e introspectiva letra, traduzindo-se num momento intenso e profundo do espetáculo.
A canção forte, sensual, quase libidinosa, sem perder o mote do heavy metal, com excelente participação do baixo de Joey, “Sons of Odin” traduz-se num divertido momento do show, com acordes displicentemente dedilhados da guitarra de Logan, demonstrando todo seu carisma e versatilidade, ampliando o clima de descontração. Perfeito!
Além destes, outros sucessos, especialmente do último álbum de estúdio da carreira como “Die for Metal”, “Sleipnir”, “Loki God of Fire”, “King of Kings” e “Army of the Dead” do Gods of War de 2007.
Um dos maiores pontos de verticalização do evento ocorreu na execução de “Warriors of the World United” (2002), com intensa participação do público. Nota para a impressionante finalização da canção, de forte impacto estético.
Encerrando magistralmente o grande espetáculo, “Army of the Dead” (2007), em mais um brilhante momento da bem conduzida apresentação, trouxe mais uma vez riffs de excelência e qualidade sonora ímpares, executados com habilidade e propriedade por Scott. Fantástico!
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