Angra e Sepultura no Via Funchal
Publicada em 12, May, 2009 por Anderson Oliveira
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A noite de 9 de maio será marcante, não só para o público presente no Via Funchal para ver em ação duas grandes bandas nacionais, mas para a história do heavy metal nacional. No palco, as duas maiores referências do estilo em uma turnê marcante, trazendo de volta ao cenário o maior expoente do heavy metal melódico, o Angra, que após um hiato de dois anos, brigas judiciais e mudança de integrantes, volta a ocupar seu posto de maior referência no estilo, e o Sepultura, com mais de 25 anos de estrada, divulgando recentemente o álbum A-lex.
Numa noite chuvosa, com outros grandes shows acontecendo na cidade, o Via Funchal não estava com lotação máxima, mas muito bem ocupado, camisas pretas, a noite seria das duas bandas, não houve espaço para rivalidade entre os públicos, enquanto o nome de uma das bandas era entoado, o nome da outra começava na sequência, algo que só o heavy metal poderia proporcionar.
<b>Angra</b>
O relógio aproximava-se das 22h00 quando as cortinas se abriram e o imenso logo do último álbum inédito do Angra, Temple of Shadows, estampava o fundo do palco, o início não poderia ser melhor, com os primeiros sons de Unfinished Allegro o público presente sabia muito bem o que iria acontecer, Carry On, maior clássico da banda, daria início a uma apresentação que o público paulista esperou por 2 anos. Tocando com um tom abaixo do natural, o som do Angra está muito mais pesado e agradou todos os presentes, com plena interação, a banda, que agora conta com Ricardo Confessori, novamente, na banda, mostrou que está em forma e tem tudo para ocupar novamente o posto de onde nunca deveria ter saído.
Nova Era sucedeu Carry On e colocou na sequência os dois maiores clássico da banda em suas duas formações, atitude acertada que manteve o nível da apresentação, destaque para a bela iluminação de palco. Encerrada a música, o vocalista Edu Falaschi agradeceu a presença do público e deu início a Waiting Silence, pesada e cheia de solos, a música agradou os presentes. Logo após a execução, Edu, com um violão em mãos, dá início a Heroes of Sand, bela música que foi incrivelmente recebida pelo público, fato é que após o hiato de dois anos, os fãs mantiveram-se fiéis à banda de uma forma que só as grandes bandas conseguem, até por isso, o set list contemplo as diversas fases da banda, que, na sequência, tocou o grande clássico Angels Cry.
Carolina IV, uma epopéia de praticamente 10 minutos, fora tocada na sequência, sendo, talvez, o único “senão” do set list, já que a apresentação seria mais curta e talvez fosse possível substituí-la por outros dois clássicos da banda, porém sua execução foi realizada com maestria e manteve o nível da apresentação. Algumas surpresas no repertório fizeram a alegria do público presente, a primeira delas com certeza foi Spread Your Fire, música de incrível dificuldade e muito rápida, sua execução surpreendeu devido ao tempo em que a banda permaneceu parada, foi, sem dúvida, uma demonstração de que os rapazes estão em plena forma. Make Believe foi outra que há muito tempo não se via ao vivo e foi muito bem recebida. O bis ficou por conta de outros dois grandes clássicos da banda, Rebirth, cantada em uníssono pelos presentes, e Nothing to Say, com uma introdução de bateria de deixar qualquer apreciador de uma boa música, independente de estilo, com a boca aberta, para felicidade de todos, sim, o Angra voltou!
<b>Sepultura</b>
Já aproximava-se da meia-noite quando as luzes se apagaram e o Sepultura ocupou seu lugar no palco, ao fundo, uma bandeira com a capa do último álbum da banda, A-lex, já dava o tom sombrio que a apresentação teria. Normalmente critica-se o fato do Sepultura continuar com a banda sem os irmãos Cavalera, que saíram ao longo dos últimos anos, mas o fato é que a banda vive, hoje, seu melhor momento e parece ter se encontrado novamente com sua música. Após o elogiado Dante XXI, A-Lex manteve o nível e foi a base da apresentação da banda.
Após a saída de Igor Cavalera questionou-se muito a presença de Jean Dolabella na banda, mas a verdade é que o mineiro não deve nada ao seu antecessor e segura com honra as baquetas do Sepultura, esbanjando vontade e técnica, surpreendeu a todos com uma performance irrepreensível.
Sempre intenso e com uma performance avassaladora, uma imensa roda foi aberta no meio da pista e manteve-se até o fim da apresentação, clássicos como Refuse/Resist eTroops of Doom foram recebidos calorosamente pelo público, que não parou de entoar o nome da banda em nenhum momento, destaque também para os efeitos utilizados na execução de faixas de A-lex, lembrando, nitidamente, bandas como Fear Factory e Ministry.
O grande momento da apresentação foi, sem dúvida, o improviso de Inner Self, ali, de surpresa, foi executado o grande clássico da banda, e foi nítida a alegria e surpresa de Andreas e sua trupe ao ver a reação do público cantando a música, sem houvesse alguma dúvida sobre a importância da banda para o metal nacional, ela não existe mais.
E após pouco mais de 01h00 de apresentação, intensa e com plena participação do público, o Sepultura encerrou sua apresentação com um bis que incluiu seu grande clássico, Roots Blood Roots.
<b>Sepultura e Angra</b>
O fim de noite (o relógio já beirava 01h30 da manhã) foi a verdadeira celebração do heavy metal, com ambas as bandas no palco e a participação de integrantes do Korzus, outra lenda do metal nacional, vários clássicos do rock foram executados e fizeram a festa dos presentes, entre eles, Imigrant Song do Led Zeppelin e Highway Star do Deep Purple, Paranoid do Black Sabbath deu fim a uma noite que ficará marcada na história do metal nacional.
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